Vegetação endêmica e espécie invasora em campos rupestres de áreas garimpadas

Abel Augusto Conceição, Fabiciana Cristo, Alex Santos, Juliana Santos, Emile Freitas, Bárbara Borges, Leonardo Macêdo, Regina Oliveira

Resumo


Resumo
Campos rupestres constituem uma vegetação típica de montanhas da Cadeia do Espinhaço e com elevado grau de
endemismo de plantas, contendo algumas áreas com histórico de perturbações por garimpo e pisoteio. O presente
estudo foca em duas perguntas principais: 1) Campos rupestres que foram perturbados pelo garimpo há cerca de 15
anos atrás possuem composição florística e estrutura similares a áreas sem perturbação? 2) A riqueza e abundância
de espécies exóticas invasoras e de espécies nativas de ampla distribuição tendem a ser mais elevadas nessas áreas
garimpadas ou pisoteadas? Quatro campos rupestres foram amostrados em Igatu, Andaraí, Chapada Diamantina,
Bahia, Brasil: dois onde a atividade de garimpo cessou há 15 anos, um sob perturbação atual por pisoteio, mas sem
histórico de garimpo e outro em uma área conservada (vegetação amostrada por 16 parcelas de 10x10 m, quatro em
cada área). A distribuição geográfica das espécies foram determinadas com base na literatura e análises de classificação
e ordenação foram feitas. A composição florística dos campos rupestres foi afetada pelas perturbações, mas apenas
a perturbação por garimpo teve efeito marcante sobre a estrutura da vegetação. Espécies de ampla distribuição mais
generalistas e a espécie invasora Melinis minutiflora P.Beauv. foram restritas às áreas perturbadas, mostrando a necessidade
de monitoramento de espécies invasoras nas áreas garimpadas do Parque Nacional da Chapada Diamantina.
Palavras-chave: Chapada Diamantina; conservação da biodiversidade; espécie ruderal; perturbação; regeneração
vegetal


Abstract
The rupestrian grasslands vegetation occurs at the mountaintops of the Espinhaço Range harboring high number of
endemic plant species. Despite its importance, some areas of rupestrian grasslands are under anthropogenic disturbance
due to mining and trampling. The present study had two main questions: 1) Are the floristic composition and structure
of rupestrian grasslands in areas impacted by mining similar to areas not subjected to mining? Are there tendencies
to increase the abundances of exotic invasive and wild widespread plant species in areas impacted by mining or
trampling? To evaluate our questions we sampled four rocky grasslands in Igatu, Andaraí, Chapada Diamantina,
Bahia, Brazil: two areas where the mining activities stopped 15 years ago, one area under current disturbance due
to trampling, but without mining historic, and a fourth area which is well conserved. The vegetation was sampled in
16 10x10 m plots, four in each site. The geographic distribution of each species was defined based in the literature.
Cluster and ordination analysis were performed. We conclude that the floristic composition of the sites was affected
by previous and current disturbances, but only the mining disturbance had strong effect in vegetation structure, with
the conserved area harboring a great part of the Brazilian endemic species. The exotic and invasive plant Melinis
minutiflora P.Beauv. occurred only at the disturbed sites, mainly in the mined sites, stressing that rupestrian grassland
sites subjected to mining in the past should be monitored against invasive species.
Key words: Chapada Diamantina; biodiversity conservation; ruderal species; disturbance; vegetation regeneration.


Palavras-chave


conservação da biodiversidade; espécie daninha; espécie exótica; perturbação; regeneração vegetal

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